Nosso Deus é um Deus de promessas. Disso você já sabe e eu também. O difícil na verdade é esperar que elas se cumpram.
Desde o início da semana estamos conferindo a vida de Abraão, o pai da fé, exemplo de confiança e obediência a Deus. Mas na leitura de ontem (Gn. 17 1, 9-10.15-22) eu percebi uma coisa: até ele vacilou diante da promessa de Deus, que aliás parecia grande demais pra ele. Recapitulando: O Senhor o chama e depois de instituir a circuncisão, promete que Sara, sua esposa, vai ter um filho. Aí nem Abraão aguenta. Cai no riso...
Isso por razões óbvias: Já tinha noventa e nove anos, e sua mulher, que também já era velha, sempre fora estéril. Que ideia absurda essa de ter um filho agora, logo agora...
As promessas de Deus para nós muitas vezes são assim também: absurdas. Hoje em dia quantos jovens você encontra que esperam castamente um marido/esposa para só então viver a vida sexual? Quantos você vê abrir mão do aborto, da camisinha, por amor à Deus e à Igreja? Hoje isso é um absurdo, uma idiotice até, um pensamento "ultrapassado". Mas é pedido de Deus, é promessa de Deus.
E às vezes ela demora também. Voltemos ao caso de Abraão. Na ocasião dessa leitura de ontem, já havia mais de vinte anos que Abraão servia o Senhor. E só agora essa história de filho? Ahh fala sério! Sem falar de que Deus permitiu primeiro que Sara fosse humilhada entregando seu marido à sua escrava para lhe suscitar filhos. Exemplos como esse temos aos montes nas Escrituras: Jó passou um bom tempo doente, sem filhos, sem nada. E mesmo assim esperou e confiou. Lázaro passou quatro dias no túmulo... Eu garanto a vocês que se esse tempo não passasse, se não viesse o sofrimento primeiro, a vitória não teria o mesmo gosto...
Já dizem alguns que Deus não demora, Ele capricha...
Só você e Ele sabem das esperas que você sofre. Talvez seja um pedido que você faz há anos, talvez aquela pessoa certa que ainda não chegou, ou um emprego, filhos... Não sei. Mas eu repito a frase que coloquei no início do post: Nosso Deus é um Deus de promessas! Mais que isso: Ele é um Deus que cumpre suas promessas. Espere e verás a realização dessas promessas, ainda que demore mais um tempo. Só o que Deus te pede é o mesmo que pediu a Abraão:"Anda em minha presença" (Gn. 17,1). É isso: espera em Deus, permanece em Deus! Se Ele te prometeu, por mais absurdo que pareça, Ele cumprirá!
Assistam agora a um vídeo da música "Espera no Senhor", da Eliana Ribeiro (Comunidade Canção Nova).
Você quer ser santo?
Até que ponto você quer ser santo?
Hoje essa pergunta está martelando na minha cabeça...
Você sabe que na nossa Igreja o que mais ouvimos é exatamente isso (ou similares): "Ahh, eu quero a santidade, eu quero o céu". Eu também falo isso muitas vezes, mas hoje eu fui levada a pensar nos limites desse meu desejo. Será que é isso que eu realmente quero? Será que não é somente um clichê, uma frase bonitinha e bem feita que todo mundo diz?
Quando você quer uma coisa, você pede a quem possa te dar. Quando você quer muito uma coisa, você mesmo corre atrás. Eu tenho certeza de que você mesmo vai poder constatar isso: quando você está "a fim" de alguém o que você faz? Espera um anjo cair do céu para falar com a pessoa que você gosta dela? Não! Você sabe que se esperar isso acontecer, ela(ele) provavelmente nunca vai ficar sabendo de seus sentimentos. Ou ainda: quando você está às vésperas de uma prova importante e difícil e você quer passar, o que você faz (excluindo a hipótese da "pesca")? Estuda...
Assim também se dizemos que queremos ser santos, precisamos correr atrás, lutar por essa santidade, muitas vezes do modo mais difícil.
E essa luta não é fácil. Tenho partilhado aqui com vocês a minha luta, e até algumas dificuldades que eu tenho. Você também tem as suas mazelas, lepras que te impedem de ser santo. É por isso que jamais poderemos dizer que estamos prontos. É por isso que carregamos nossa cruz todos os dias (entenda-se por cruz as nossas dificuldades, nossos pecados) e assuminos uma luta nova. É por isso que temos a comunidade e reanimamos uns aos outros.
Eu peço a Deus hoje que Ele suscite em seu coração um verdadeiro desejo de santidade. Que você não se conforme com o pouco, com o necesário, que você deseje a verdadeira santidade, e lute por ela, que não desanimes nas dificuldades, que levantes de teus tropeços, que estejas disposto a abrir mão de tudo aquilo que te afasta de Deus (só Deus e você sabem quais são essas coisas).
Durante esta semana estamos meditando a vida de Abraão. Nessa segunda-feira vimos a narração de gênesis da sua vocação. O que mais me impressiona nesse texto todo é que Abraão não ficou preso em si mesmo. E ele tinha todo direito de fazê-lo. Ele já tinha setenta e cinco anos e imagino que o que mais quisesse fosse ficar quieto no seu canto, aproveitando o resto da sua vida com sua mulher e seu sobrinho Lot. Mas acontece que o chamado de Deus o incomodou, de tal forma que ele não pôde resistir. E saiu, sem saber para onde, talvez sendo tachado de louco, talvez sem entender direito, mas foi.
Imagine por um instante que Abraão tivesse dito não ao chamado que Deus lhe fez. Pra começar, a sua vida teria acabado ali mesmo em Ur, e morreria normalmente, sem filhos, sem descobrir a felicidade. E a nossa fé talvez não existisse...
É esse mesmo impulso que atingiu Abraão que deve nos atingir hoje. Muitas vezes só queremos ficar relaxados, em paz, no nosso cantinho, talvez até remoendo as nossas mágoas. Mas eu te digo uma coisa: muita gente está perdendo com isso, a começar por você! As pessoas a sua volta precisam de um exemplo exatamente como você, só que transformado pelo Espírito. Precisam saber que vale sim a pena trocar essa vida pela companhia de Deus, que nos chama, que nos ama.
Pode ser que você não tenha aceito o chamado de Deus até hoje. Não tem problema. Ele te chama novamente todos os dias. E espera uma resposta... Não se incomode de mudar toda a sua vida por isso... Vale a pena!
Que Ele cresça e eu diminua
Hoje é dia de São João Batista. Mais do que comer aqueles bolos todos (huuumm!) e dançar forró () meditamos hoje a vida e a missão desse grande profeta de Deus, que como diz o meu pároco, foi o último do Antigo Testamento e o único do Novo. As leituras do dia de hoje são portanto, riquíssimas e nos trazem profundas mensagens.
Aquela que mais me marcou foi a da primeira leitura (Is. 49, 1-6): Eu tenho uma missão! É muito bom saber que a minha vida tem uma meta, que eu não estou aqui à toa. Deus me escolheu desde o ventre da minha mãe.
Trabalhar para o Reino é uma coisa maravilhosa, e muito necessária. As pessoas ao nosso redor precisam ouvir de nós a Palavra de Deus. Que missão nobre! Mas ao contrário do que possa parecer, não é motivo nenhum de glória para nós. O mérito sequer é nosso...
Digo isso porque é um perigo grande a vaidade tomar conta dos nossos corações, em qualquer missão ou trabalho que exerçamos dentro da Igreja. Em muitos lugares vemos surgir pequenas picuinhas que acabam se transformando em grandes brigas. Quem é maior: aquele que prega ou aquele que participa da liturgia? Aquele que canta ou que dança? Aquele que celebra ou aquele que limpa as toalhas?
Jesus nos dá a resposta: Ninguém!
"Surgiu também entre eles uma discussão: qual deles seria o maior.
E Jesus disse-lhes: Os reis dos pagãos dominam como senhores, e os que exercem sobre eles autoridade chamam-se benfeitores.
Que não seja assim entre vós; mas o que entre vós é o maior, torne-se como o último; e o que governa seja como o servo.
Pois qual é o maior: o que está sentado à mesa ou o que serve? Não é aquele que está sentado à mesa? Todavia, eu estou no meio de vós, como aquele que serve."
Esse espírito de humildade enchia o coração de João Batista. Foi ele quem disse: "importa que Ele cresça e eu diminua" (Jo. 3, 30). Isso porque se nós ficamos concentrados apenas em disputar com os irmãos, a nossa missão perde o foco,e acabamos deixando o mais importante de lado: Fazer Jesus amado!
É um bom momento para rever nossas atitudes na nossa caminhada. Para começar de novo. Procure se superar apenas cumprindo a vontade de Deus cada vez mais, e todos os dias.
Para terminar, eu coloco aqui um trecho da primeira carta de São Paulo aos Coríntios (leia todo o capítulo 9, tem tudo a ver com o tema).
"Anunciar o Evangelho não é glória para mim; é uma obrigação que se me impõe. Ai de mim, se eu não anunciar o Evangelho!
Se o fizesse de minha iniciativa, mereceria recompensa. Se o faço independentemente de minha vontade, é uma missão que me foi imposta.
Então em que consiste a minha recompensa? Em que, na pregação do Evangelho, o anuncio gratuitamente, sem usar do direito que esta pregação me confere."
I Cor. 9, 16-18
Vamos rezar então para que a nossa vida seja transformada em seu íntimo. Peçamos pela Igreja e por nós mesmos, de forma que o nosso maior desejo seja ver a Palavra de Deus difundida, seja por quem for, e dar a nossa contribuição para que isso aconteça, sem vaidade ou orgulho.
Como barro na mão do oleiro “Apesar dessas coisas, Senhor, tu és nosso Pai, nós somos barro; tu, nosso oleiro, e nós todos, a obra de tuas mãos” (Is 64, 7).
O que seria então de nós se não experimentássemos cada novo dia da misericórdia de Deus? O que seria de nós se Deus não nos sustentasse com seu amor em cada instante e nos redimisse toda vez que vamos ao confessionário? O que seria de nós se os nossos irmãos nunca voltassem atrás no perdão de nossas muitas fraquezas? O que seria de nós, Senhor, se não tivéssemos outra chance cada novo dia? Talvez nem mais te chamássemos de Pai ou sentíssemos a tua presença aconchegante, o que seria, Senhor, o que seria de nós? Esta é a verdade mais fundamental: Todos nós precisamos de redenção!
Unimo-nos à oração e a suplica confiante do profeta Isaías para dizer: “Senhor, tu és o nosso Pai, nosso redentor; eterno é o teu nome. Por que, Senhor, deixaste-nos andar longe de teus caminhos e endurecestes nossos corações para não termos o teu temor? Por amor de teus servos, das tribos de tua herança, volta atrás.” (Is 63, 16-17).
Já não temos outra garantia se não o teu amor de Pai, a tua misericórdia! Se, experimentamos tantas vezes o teu silêncio, é porque somos nós que insistimos nas nossas próprias vontades ou em traçarmos os nossos próprios caminhos. Como sofremos quando trocamos a segurança do teu amor pela nossa vida velha! Mas volta atrás, Senhor, pois somos obras de tuas mãos!
Lanço um olhar neste dia a me recordar do desígnio amoroso de Deus nas nossas vidas. O que seria de nós se a sua paz não tivesse nos invadido e sua graça nos sustentado ao longo do caminho e por tantas noites de prova e purificação? O que seria de nós se na hora daquela dor, daquele constrangimento, daquela contrariedade e humilhação não tivéssemos nos lembrado de que Deus é nosso Pai, somos barro, mas somos obras de suas mãos! Reza ainda o profeta como que fazendo um salto de esperança diante dos acontecimentos que não são nada diante da inesgotável e sempre fiel providência de Deus: … “Apesar dessas coisas, Senhor, tu és nosso Pai, nós somos barro; tu, nosso oleiro, e nós todos, obra de tuas mãos” (Is 64, 7).
Ensina-nos, Senhor, a vivermos nessa esperança e nessa confiança! Aconteça o que acontecer, dê-nos a graça para que nunca venhamos e te abandonar, e “ilumine a vossa face sobre nós e nos ajude a voltar para o teu coração amoroso” (Sl 79). Muitos já desistiram do teu amor porque não compreenderam que a dor autentica o amor, e muitos outros nem mesmo ao teu amor chegaram. Que o meu coração não durma diante da prova e nem da “solidão”, mas que minha vida seja sempre um despertar da alegria de pertencer a ti diante. A ti um único pedido: “Volta atrás, Senhor, pois somos obras de tuas mãos!” Assim seja.
Antonio Marcos
Deus cuida de mim
Ontem e hoje pela manhã eu estava um pouco triste. Sabe quando parace que os seus problemas vão acabar com você? Era mais ou menos assim que eu me sentia. Aí já viu né? Lágrimas, tristeza, murmuração...
Mas o que me alegra nisso tudo é saber que Deus está comigo, cuida de mim e zela pela minha fé. Ele não permite que eu desanime, e fala comigo. Ele mesmo me reergue.
Hoje eu participei de um encontro para jovens aqui da minha paróquia. Foi maravilhoso!Embora só tenha durado a parte da manhã, eu senti que foi o suficiente para eu me sentir forte novamente. Sim, com Jesus eu sou forte.
Oramos, cantamos, meditamos a Palavra, e terminamos adorando o Senhor. Foi maravilhoso. Me lembrei de que eu preciso sempre dos meus irmãos, que me lembrem do amor maravilhoso de Deus, de sua presença, de seu carinho.
Não se afaste de seus irmãos. Não abandone seus grupos na Igreja. Assim como você pode animá-los quando estiverem tristes, em algum momento, quando você pensar em desanimar, eles vão te acolher e ser instrumentos de Deus para você. Foi o que aconteceu comigo.